A SÉRIE DE CRÔNICAS “DIÁLOGOS” DE FIGUEIREDO COIMBRA

Marcela Ferreira

Resumo


A 18 de março de 1866, no Rio de Janeiro, nasce Argemiro Gabriel de Figueiredo Coimbra, poeta, cronista, jornalista, d ramaturgo, tradutor, adaptador de peças e redator. Falece jovem, com apenas 33 anos, a 23 de março de 1899, vítima d e tub erculose. Metade de sua vida é dedicada ao trabalho no teatro e na imprensa. Começa a carreira literária em 1 884, com a comédia A Carta Anônima, peça representada no Teatro Recreio Dramático pela companhia Dias Braga. Posteriormente, escreve O Bendegó (1889), revista de ano escrita em parceria de Oscar Pederneiras, e O mundo da Lua (1894), uma viagem-revista. O sucesso no teatro revela o talento do jovem escritor e, a partir d esse momento, ele recebe convites para escrever na imprensa carioca. A Gazeta da Tarde, o Diário de Notícias, o Novidades e a Revista Teatral são alguns exemplos de periódicos, em que se encontram colaboraçõ es de Coimbra. O pintor Ro dolfo Amoêdo retratou o escritor ao lado de grand es nomes da literatura brasileira como Olavo Bilac, Co elho Neto, Artur Azevedo e Raul Pompéia, dentre outros, na tela “A roda literária de 1889”. De 1894 até 1899, Coimbra colabora veementemente no vespertino A Notícia, exercend o o cargo de secretário do periód ico, comentando os fatos d a época e escrevendo p eriodicamente duas colunas de crô nicas, as “Notas de um simples” e os “Diálogos” (objeto de pesquisa deste trabalho). Os “Diálogos” surgem no jornal em julho de 1895 e permanecem até janeiro de 1899, somando um total de aproximadamente 467 textos. Os textos têm como temática principal o co tidiano carioca do final do século XIX. Pretende-se analisar a estrutura desses textos, pois eles apresentam características do gênero diálogo e do teatro de revista, e mostrar como essas interferem na forma de rep resentação do cotidiano. O corpus é constituído dos “Diálogos” publicados em 1895, que somam 134 crônicas. Essas estão sendo contextualizadas, por meio da leitura e d a consulta de periódicos da época, como O País, a Ga zeta de Notícias e o Diário de Notícias. A leitura do corpus revela que Coimbra utiliza o diálogo para compo r suas crônicas. O diálogo é considerado um gênero literário pelos manuais didáticos do século XIX. Era comum encontrar nos jornais textos com essa estrutura, a exemplo da série “A + B” de Machado de Assis, da Gazeta de Notícias em 1886. Das características desse gênero, Coimbra resgata a maneira d e “agradar instruindo”, pois o gênero é um método didático, em que veicula críticas e o piniões de forma amena. Do teatro de revista, o autor aproveita as personagens-tipo, além das convenções desse tipo de representação teatral. O humor também permeia os textos de Coimbra, com situações cô micas sobre a vid a no Rio de Janeiro, co m o uso de p ersonagens tipicamente caracterizados dos cariocas daquele momento. Os assuntos expostos na série representam o cotid iano, que é a “matéria-prima” da crô nica, que retrata o tempo , os fatos, observando a vida, o presente, as experiências e as reflexões humanas; dizendo as coisas mais sérias de uma maneira completamente sutil. Assim, o relato do tempo não é feito como uma simples notícia de jornal, ele passa por uma transformação e torna-se uma forma literária. As características apresentadas fundidas em cada texto da série “Diálogos” convergem para transformar a coluna em um conjunto de crônicas dialogadas. O estudo da série torna-se importante, na medida em que resgata textos literários inéditos, que retratam um período da história brasileira, além de trazer a lume Figueiredo Coimbra, um autor conhecid o no período, mas que não pub lico u nenhum livro.

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