Jornalismo e ficção, acredite se quiser

Aline Gastardeli Tavares da Câmara

Resumo


O jornalismo é quase sempre visto como um representante fiel da realidade. Embora muitosestudos sobre ele apontem a impossibilidade de se retratar fielmente a realidade em uma folhade jornal – e outros pontos de vista sobre o assunto estejam cada vez mais presentes em pesquisas, artigos e cursos sobre jornalismo – muitos jornalistas, redações, eventos e manuais da área ainda acreditam e pregam que o jornalismo precisa assumir esse papel; precisa assumir esse quase “dom” de dar a ver a realidade. No jornalismo literário, essa aposta é intensificada, pois se acredita que ele conseguiria retratar a realidade de maneira ainda mais fiel. Diante dessa confiança depositada no jornalismo, literário ou não, questiono se o jornalismo seria mesmo capaz de cumprir esse compromisso. Minha proposta é que as discussões sobre o assunto seriam mais potentes se não se pautassem nas dualidades e nas oposições entre verdadeiro-falso e realidade-ficção, mas tentassem dar a ver qual é a potencialidade da ficção para o jornalismo, especialmente para o jornalismo literário. Para isso, seria preciso suspender essas oposições, repensando o próprio conceito de ficção, apostando na ficção como possibilidade de desestabilizar as regras que regem o jornalismo eas totalizações da realidade pelas formas de representação, investindo na proliferação de novos sentidos e novos mundos através/pela ficcionalização da realidade. Neste artigo, discuto o conceito de ficção em um diálogo com o “jornal alternativo” Sensacionalista e O livro amarelo do terminal, tentando mostrar como esses dois artefatos jornalísticos investem na potência da ficção.


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