A LUTA PELO DIREITO DE DIZER A LÍNGUA: A LINGÜÍSTICA E O PURISMO LINGÜÍSTICO NA PASSAGEM DO SÉCULO XX PARA O SÉCULO XXI

Marina Célia MENDONÇA

Resumo


Esse artigo é resumo de minha tese de doutorado em lingüística, na qual, na perspectiva da análise do discurso, analisei a constituição da metalinguagem purista presente na mídia brasileira na passagem do século XX para o século XXI e o diálogo entre ela e o discurso de lingüistas. Essa metalinguagem tem por temática principal o uso de anglicismos e o uso/ensino da norma culta. Distingo nela a presença de dois purismos, que chamo de purismo nacionalista e purismo neoliberal. Considerando, segundo a perspectiva discursiva de Foucault, que haja uma luta pelo poder de dizer a língua na esfera pública, reflito sobre o diálogo que constitui essa luta ao longo da história brasileira e no período citado – diálogo entre escritores, gramáticos, jornalistas, políticos e, recentemente, entre lingüistas. São apontadas as ressignificações resultantes do diálogo que constitui esses discursos, entre elas os simulacros produzidos em debates na mídia.



Abstract

The theme of this research is the fight for the right of saying the language. The central interest is to analyze the collisions between linguistics and the common sense that took place in the end of the XX century and at the beginning of the XXI century in Brazil. These collisions dealt mainly with the teaching of the educated norm and the restriction to the use of foreign expressions in the country. I found, in the reference media, two types of purism, which I called neoliberal purism and nationalistic purism. I accomplished a historical approach of the nationalistic purism in grammar books and in romantic writers' discourses. In the analyses, I pointed out indications that the writer's place of saying language is constituted in the relationship with the nationalistic purism and with the traditional grammatical knowledge. The grammarians, on the other hand, in the fight to maintain the value of their place of saying the language, maintain a dialogue with the puristic grammatical tradition and with linguistics, in order to modernize the linguistic instruments. The linguists have, in the teaching relationships, a space to say the language. However, their word doesn't have projection in the media.


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