A guerra na língua: as representações do "11 de setembro" na mídia e no discurso oficial

Ruberval FERREIRA

Resumo


Este trabalho consiste na investigação das formas de apropriação dos eventos que ocorreram no dia 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, pelo discurso oficial e pela mídia, através da análise das formas de nomeação/referenciação utilizadas para caracterizar o que estou chamando de “a ação em si???, os prováveis “agentes??? e o tipo de ameaça para o qual o evento aponta. O conjunto dos sentidos de tais expressões constitui a dimensão do que estou chamando de macro-objeto “11 de setembro???, tipo de construção que materializa as principais tensões que atravessam o campo da linguagem e que estou chamando de “guerra na língua???. Este trabalho se volta para investigar os mecanismos de construção desse macro-objeto, a força retórico-performativa de tais mecanismos, no que diz respeito à construção de representações, e suas implicações ético-políticas. A análise orienta-se por uma visão dialógica e performativa da linguagem, no sentido dado a esses termos por teóricos como Bakhtin, Austin e Bourdieu, e por uma visão de interpretação proposta pela desconstrução, de Jacques Derrida.


Résumé

Le présent travail est une enquête sur les formes d’appropriation, par le discours officiel et par les médias, des événements du 11 septembre 2001, aux Etats-Unis. Ce travail d’appropriation est envisagé à partir de l’analyse de certains processus linguistiques, notamment des types de formulation utilisés pour l’événement lui-même, pour l’agresseur, et pour le genre de menace que les événements en question sont censés représenter. L’ensemble sémantique de ces expressions constitue ce que j’appelle macro-objet “11 septembre???, construction où se matérialise les principales tensions qui traversent le champ du langage, et que je qualifie de “guerre dans la langue???. Ce travail en vient ainsi à explorer les mécanismes de construction de ce macro-objet, la force rhétorico-performative de ces mécanismes, leur capacité à créer des représentations et leurs implications ético-politiques. L’analyse s’appuie sur une conception dialogique et performative du langage, selon les sens donnés à ces termes par des théoriciens comme Bakhtin, Austin et Bourdieu. Elle utilise également les théories déconstructives de Jacques Derrida.


Texto completo:

PDF