Alguma extemporaneidade no riso: piadas antigas, circunstâncias novas, efeitos similares

Charlene Martins Miotti

Resumo


O objetivo deste trabalho é apontar certa constância nos temas que suscitam o riso, bem como algumas estratégias linguísticas que estruturam anedotas narradas pelo gramático Quintiliano (30-96 d.C.), sublinhando a sincronia que nos permite, hoje, relativizar o pressuposto comumente aceito de que o humor é cultural e se realiza de maneira peculiar para cada época, país ou língua. A partir de seis exemplos de situações cômicas relatadas por Quintiliano na Antiguidade (Institutio oratoria, ca. 95 d.C.), cotejados com outras anedotas modernas equiparáveis, procuramos mostrar que o humor pode ser mais transcultural do que se costuma pensar e que, dessa forma, mesmo piadas produzidas em circunstâncias distantes do nosso contexto (cronológica, geográfica e linguisticamente) podem ser e são, na maior parte das vezes, engraçadas para nós. Se nós, brasileiros do século 21, ainda nos rimos da comicidade tal como descrita por Quintiliano, é provável que algumas de nossas piadas tenham preservado mecanismos humorísticos semelhantes aos das piadas latinas.

Texto completo:

PDF