A tradução de gênero entre fal(t)as e excessos no imaginário de tradutoras brasileiras

Ana Moura Schäffer

Resumo


Ancorado na Análise do Discurso, em interface com a Desconstrução, o texto investiga a presença de tradução de gênero no dizer de tradutoras, no contexto brasileiro. Recortes discursivos selecionados de respostas de 21 tradutoras a um questionário de 5 perguntas e que compõem o corpus, foram analisados, buscando na materialidade linguística e nas formações inconscientes que irrompem desta materialidade indícios da constituição do imaginário dessas tradutoras sobre tradução de gênero. A análise aponta resistências quanto à relação gênero e tradução no Brasil, pelo menos na discursivização sobre o assunto, o que se justifica pelas relações estabelecidas com os múltiplos feminismos e tudo o que simbolizam. Entre as representações de tradução de gênero que emergem do dizer destacam-se as que ressoam sentidos de luta social e as que são imaginarizadas como expressão de criatividade e autoria, mesclando-se para instituir momentos de identificação aliados à singularidade das tradutoras. Não só emergem vestígios de tradução de gênero no dizer sobre o assunto, como também efeitos de sentido que apontam para uma constituição identitária das tradutoras que já se acham inseridas no contexto de um emprego de uma linguagem mais inclusiva de gênero nas traduções por elas praticadas.

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