A tradução como interpretação: Um olhar para A Cor Púrpura segundo duas perspectivas teóricas

Elias Ribeiro da Silva

Resumo


: Objetiva-se, neste artigo, discutir a tradução como prática de interpretação sujeita à história e à ideologia de suas condições de produção. Parte-se do pressuposto de que uma tradução brasileira de uma das peças de Shakespeare, por exemplo, apresentará as marcas históricas e ideológicas de seu contexto de produção, enquanto uma tradução portuguesa da mesma peça será atravessada pela história e pela ideologia do contexto de seu tradutor português. Em um primeiro momento, apresenta-se a discussão de Fish (1980) acerca da significação, focalizando-se, particularmente, suas considerações acerca do papel do texto, do leitor e da comunidade interpretativa na produção de significados. Em seguida, são discutidos alguns dos pressupostos da Análise do Discurso de linha francesa. Focaliza-se, particularmente, a questão da interpretação (Orlandi, 2007a). Discutida a produtividade desses aparatos teóricos para a compreensão da tradução como gesto interpretativo situado na história, discute-se, como exemplo, a tradução brasileira do romance epistolar The Color Purple, de autoria da afro-americana Alice Walker.

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