A formação das cidades gregas e a reflexão sobre a comunidade política: algumas fontes gregas do gênero literário utopia

Ana Cláudia Romano Ribeiro

Resumo


A utopia como gênero literário se caracteriza por apresentar, em forma ficcional, uma discussão sobre a comunidade política do autor, conforme a definição de Carlos Berriel. Ela apresenta ao leitor uma descrição detalhada de todas as instâncias da vida social em um país imaginado, descoberto acidentalmente por um viajante, que se encarrega de legar à posteridade seu relato testemunhal. Ela nasce como gênero em 1516, ano de publicação da Utopia, porém, seus predecessores literários remontam a Homero. Com efeito, a representação de uma alteridade social feliz é uma das constantes da história do homem. Logo, podemos afirmar que a utopia como modo do imaginário social (utopismo) já existia bem antes da publicação do texto paradigmático de Thomas Morus, que cristaliza em forma literária uma tendência do pensamento. O presente artigo apresenta alguns dos antecedentes literários gregos da utopia, considerando que a herança da cultura grega antiga, que alimentou o pensamento de Morus e de outros utopistas, constitui uma parte importante da cultura humanista e pode fornecer chaves de leitura para a compreensão do imaginário político expresso no gênero utópico.

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