DESARTICULAR O CORPO: UMA LEITURA DE EN BREVE CÁRCEL, DE SYLVIA MOLLOY

Luiza Mançano Gomes

Resumo


Este artigo busca analisar as representações sociais do corpo e do desejo feminino homossexual na obra da escritora argentina Sylvia Molloy, a partir de uma perspectiva da crítica feminista. A proposta centra-se em En breve cárcel, seu primeiro romance, publicado em 1981. Contrapondo-se ao closet da crítica que tende a ocultar as representações literárias relacionadas à manifestações afetivas consideradas '‘desviantes’' pela norma patriarcal, incorporamos a noção de escrita como re-visão, de Adrienne Rich (1983), e convocamos leituras contemporâneas sobre a sexualidade na literatura hispano-americana, como as Balderston (2006), Arnés (2016). Consideramos que em En breve cárcel, a personagem empreende, através do ato de escrever, uma revisão do que chamamos de “aprendizagem do corpo”; isto é, a revisão dos significados culturais e a forma como eles são assimilados e instituídos no próprio corpo. A personagem mitológica Diana/Artemísia desempenha um papel central nesta obra, por representar uma disputa entre significações relacionadas à identidade da personagem-narradora, pois a personagem mobiliza o mito (e desestabiliza-o) como forma de inquirir os significados culturais atribuídos ao corpo feminino, entre eles, a oposição entre sexualidade saudável (heterossexual) e doença (homossexualidade).

Texto completo:

PDF