A SUPERAÇÃO FORMAL EM A MAIS-VALIA VAI ACABAR, SEU EDGAR, DE ODUVALDO VIANNA FILHO E O TEATRO POLÍTICO DOS ANOS 1960

Thaís Aparecida Domenes Tolentino

Resumo


A concepção do discurso artístico e literário como um recurso simbólico e ideológico de reconstrução da realidade, discutido por Roland Barthes e Terry Eagleton na passagem de uma concepção estruturalista da obra de arte para o pós-estruturalismo, se fez refletir na crise do drama tradicional no início do século XX, quando a teatralidade passou a ser concebida como uma espessura de signos que compõem uma polifonia de informações e o fato teatral a ser pensado em termos cognitivos e não emotivos. Segundo Barthes, o teatro épico de Bertolt Brecht ilustraria o estatuto semântico do teatro já que ele percebe nas formas dramáticas uma responsabilidade política. Segundo Iná Camargo Costa, o teatro brechtiano foi incorporado à dramaturgia nacional a partir da montagem da peça A mais valia vai acabar, Seu Edgar, de Oduvaldo Vianna Filho, em 1960, na Faculdade Nacional de Arquitetura no Rio de Janeiro, fato que só foi possível devido às demandas sociais que se avultavam no contexto brasileiro nos anos que antecederam o golpe militar em 1964. Nesse sentido, o presente artigo tem como objetivo discutir os recursos formais do teatro épico presentes na peça de Vianinha e sua contribuição na configuração de uma estética pautada no teatro de agitação e propaganda no Centro Popular de Cultura.

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