LEITORES EM BUSCA DE AUTORES: FOTOGRAFIAS E O EU NA LITERATURA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA

Renan Augusto Ferreira Bolognin

Resumo


Este artigo propõe elucidar como a presença de autores como personagens fictícios é central nas obras Nove noites (2002), de Bernardo Carvalho; Rremembranças da menina de rua morta nua (2006), de Valêncio Xavier; e Divórcio, de Ricardo Lísias (2013). Para a demonstração da presença massiva dos autores em suas narrativas, destacamos a infiltração de autores, sobretudo, mediante fotografias inseridas nessas narrativas e/ou como o texto verbal permite demonstrar significados desestabilizadores dos sentidos de realidade e ficção subjacentes a alguns campos do conhecimento, como a escrita etnográfica, a jornalística; e a das redes sociais. Para analisar este corpus a partir da presença massiva de seus autores, questionamos o(s) porquê(s) desta importância em ditos romances contemporâneos embasados em uma bibliografia a respeito do conceito de autoria com as pesquisadoras Diana Klinger, Luciene Azevedo e Paula Sibilia; filosoficamente em Jacques Rancière (2009) e, sobretudo, na construção de simulacros de ditos autores no e no-além texto com Jean Baudrillard; em autores interessados nas artes contemporâneas e suas discussões tocantes à sua pós-autonomia como Florencia Garramuño, Josefina Ludmer, Néstor García Canclini e Susan Buck-Morss; além, é claro, de acompanharmos as análises com parte da fortuna crítica produzida em torno aos autores e às suas obras. Sendo assim, este artigo propõe, em linhas gerais, levantar os seguintes assuntos: i. Os autores constituem-se como simulacros que expandem os textos literários a outros campos; ii. O uso abundante de imagens e a presença dos autores como personagens de suas narrativas pode denotar o esfacelamento de campos do conhecimento como objetivos; iii. O uso constante da fragmentos pertencentes à biografia dos autores provoca no leitor a ânsia por desnudar o que se trata de ficção e de autobiografia.

Texto completo:

PDF