JOSÉ E SEUS IRMÃOS DE THOMAS MANN: GÊNEROS LITERÁRIOS

Luana Signorelli Faria da Costa

Resumo


Analisa-se a tetralogia José e seus irmãos (1933-1943) de Thomas Mann, paródia baseada em Gn:27-50, investigando a questão dos gêneros literários. O romance representa uma história de poder e retrata a condição da Alemanha de sua época: a transição da República de Weimar (1918-1933) para o nazismo. Por meio da paródia como superestrutura e da ironia como infraestrutura, outros gêneros literários são configurados. O primeiro é o romance mitológico, pautado na persistência da estrutura mítica. Há o mito de José como Tammuz, deus egípcio despedaçado e depois ressuscitado. Para a averiguação mitológica, serão utilizados principalmente Mielietinski (1987) e “Freud e o futuro”, do próprio Thomas Mann, no qual o autor conceitua o mito. Em seguida, procura-se examinar o gênero literário do romance histórico e do romance de formação (Bildungsroman). Para tal, são utilizados O cânone mínimo (MAAS, 2000) e O romance histórico (LUKÁCS, 2011). A investigação perpassa a forma de tetralogia, comparada por Eckhard Heftrich como pastiche do Anel do Nibelungo de Wagner (KOOPMANN, 2005, p. 461). Há também o poema épico islandês Edda em prosa (STURLUSON, 2015). Em muitos momentos, José se equipara ao herói Siegfried, da saga A canção dos Nibelungos (ANÔNIMO, 2013). Assim, Thomas Mann – ao escrever no século XX uma narrativa sobre o século XXX a. C. – reflete sobre a condição dos os gêneros literários e de sua história desde então, empregando técnicas e procedimentos que não existiam naquela época para narrar novamente a história sob novas perspectivas. Fruto de uma obra moderna, a tetralogia José e seus irmãos ressignifica os gêneros literários.

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