A AÇORIANIDADE DE VITORINO NEMÉSIO E O RETORNO A PHYSIS

Simone Nacaguma

Resumo


A partir do romance Varanda de Pilatos (1926), objetivamos analisar a açorianidade de Vitorino Nemésio, marcada, por um lado, pelas deficitárias condições sociais insulares que compelem o açoriano a emigrar; por outro, pela angústia da partida, imprescindível ao ser masculino, mas inibitória ao feminino. Isso se justificaria pela analogia do feminino insular à deusa grega Héstia, conduzindo-nos à teogonia e à cosmogonia. É, sobretudo, pela natureza que esta via de interpretação mítica se constrói, pois ela constitui elemento simbólico medular da açorianidade nemesiana, redimensionando-a ao pensarmos essa relação a partir do conceito grego de physis.
Palavras-chaves: açorianidade, cosmogonia, teogonia, natureza.

The main of this article is to analyze the novel Varanda de Pilatos (1926) by Vitorino Nemésio, making clear elements which characterize it as Azorean. It is expressed, at a first plan, by the social conditions; in a second plan, by the interpersonal relationships restricted in the anxiety of the leaving necessity. Such needs reveals itself, however, a need to the male universe and inhibitory to the feminine one. That is justified by the analogy to the “insular feminine” and to the Vesta/Hestia genealogy, what compell us to cosmogony and to teogony. It´s especially throught the nature that a mythical interpretation is organized and makes possible a relation with physis, greek idea.
Keywords: Azorean, cosmogony, teogony, nature.

Texto completo:

PDF