Cores efêmeras, palavras persistentes: arcos triunfais no México de 1680

Alfredo Cordiviola

Resumo


O arco triunfal, monumento efêmero erigido durante as grandes celebrações públicas barrocas, era uma peça central nos fastos oficiais nas comarcas do Novo e do Velho Mundo. Em 1680, por ocasião da entrada de um novo vice-rei na cidade do México, foram idealizados dois desses arcos, um por Sóror Juana Inês de la Cruz, o outro por Carlos de Siguenza y Góngora. Os arcos seriam descritos respectivamente nas obras Neptuno alegórico e Theatro de las virtudes políticas. Os artefatos estavam revestidos de imagens, emblemas e alusões que os textos posteriormente glosavam e reinventavam. Os únicos vestígios dessas estruturas, desaparecidas ao acabarem as festas, perduram somente nas retóricas da écfrase que esses textos invocam. Neste trabalho analisaremos os modos em que ambas as obras aludem à historia da literatura e à historia mexicana para elaborar seus panegíricos de circunstância.