Marcial/praeceptor amoris: aproximações intertextuais entre a elegia erotodidática ovidiana e os epigramas 2. 41, 11. 104 e 1.34

Cecilia Marcela Ugartemendía

Resumo


O objetivo deste artigo é analisar os epigramas 2. 41, 11. 104 e 1. 34, de Marcial, em  relação a seus intertextos pertencentes aos Amores, à Ars amatoria e à Remedia Amoris de Ovídio. Nestes três epigramas, revela-se um ego poético que emula o praeceptor amoris. Todavia, ao estar regido pelo código epigramático, há transformações da matéria elegíaca. Inserida em função do contexto do epigrama escóptico, a puella – objeto de desejo na elegia – torna-se objeto de invectiva e sua figura e comportamento servem para atingir a pointe epigramática. Por meio da análise intertextual dos poemas, procura-se demonstrar que a presença do intertexto ovidiano na obra de Marcial vai além de ecos linguísticos e repetições léxicas verbatim, uma vez que oferece também uma matéria a ser tratada e um modelo para a configuração de seu ego poético como praeceptor.


Palavras-chave


Marcial. Ovídio. Praeceptor amoris. Intertextualidade. Epigrama erotodidático.

Texto completo:

PDF

Referências


ADAMS, J. N. (1982) The latin sexual vocabulary. Londres: Johns Hopkins University Press

AGNOLON, A (1982) O catálogo de las mujeres: os epigramas de Marcial. 1ra. Edição. São Paulo: Humanitas.

BAILEY, D. R. S. (1993) Epigrams. Edited and translated by D. R. S. Bailey. Cambridge: Cambridge University Press.

CANOBBIO, A. (2011) “Marziale e la tradizione elegiaca latina.” Athenaeum 99: 437-72.

CASALI, S. (2005) “Il popolo dotto, il popolo corrotto: ricezioni dell'Ars Amatoria (Marziale, Giovenale, la seconda Sulpicia)”, em L. Landolfi, P. Monella (edd.), Arte perennat amor. Riflessioni sull’ intertestualità ovidiana (L’Ars Amatoria). Bologna: Pàtron, pp. 13-55.

CESILA, R. T. (2008) O palimpsesto epigramático de Marcial: intertextualidade e geração de sentidos na obra do poeta de Bílbilis. Campinas, 2004. Tese de Doutorado em Linguística/Letras Clássicas). Instituto de Estudos da Linguagem, UNICAMP.

HINDS, S. (2007) “Martial's Ovid / Ovid's Martial”, em The Journal of Roman Studies, Vol. 97, 113-154

NEGER, M. (2012) Martials Dichtergedichte: das Epigramm als Medium der poetischen Selbstreflexion. Tübingen: Narr.

P. OVIDIUS NASO (1977) Amores (Ovid in Six Volumes. Vol. 1, ed. G.

SHOWERMAN; G. P. GOOLD). Cambridge: Harvard University Press.

P. OVIDIUS NASO (1979) Ars Amatoria (Ovid in Six Volumes. Vol. 2, ed. J. H. MOZLEY; G. P. GOOLD). Cambridge: Harvard University Press.

P. OVIDIUS NASO.(1979) Remedia Amoris (Ovid in Six Volumes. Vol. 2, ed. J. H. MOZLEY; G. P. GOOLD). Cambridge: Harvard University Press.

RIMELL, V (2009) Martial’s Rome: Empire and the Ideology of Epigram. Cambridge: Cambridge university Press.

ROSATI, G. (2014) “Ovid in Flavian Occasional Poetry (Martial and Statius)”, MILLER, J.; NEWLANDS, C., A Handbook to the Reception of Ovid. Oxford: Balckwell, pp. 55-69.

SCHEIDEGGER LÄMMLE, C. (2014) “Martial on Ovid on Ovid: Mart. 11.104, The Remedia Amoris, and Saturnalian Poetics”, in Classical World , vol 107, n. 3, pp. 319-345.

WATSON, P (2005) “ ‘Non Tristis torus et tamen pudicus:’ The Sexuality of the "Matrona" in Martial”, in Mnemosyne, Fourth Series, vol. 58, fasc. 1, 62-87.

WILLIAMS, C (2006) “Identified qutations and literary models: the example of Martial 2.41”, em Nauta, C., van Dam, H-J. , Smolenaars, J.J.L. (Eds), FLavian poetry, Mnemosyne Supl. 207, pp. 329-348.

ZINGERELE VON SUMMERSBERG, W (1978) Untersuchungen zur Echtheitsfrage der Heroiden Ovid's, Innsbruck: Wagner'schen Universitäts-Buchhandlung.