Platão versus Isócrates: divergências e convergências

Ticiano Curvelo Estrela de Lacerda

Resumo


No início do século IV a.C., Platão e Isócrates instituíram as duas mais importantes escolas de Atenas do Período Clássico. Cada um a seu modo, ambos buscavam oferecer uma espécie de “formação superior” aos jovens atenienses, quando estes já haviam adquirido certa “educação básica” do período. Por essa razão, os autores travaram longa disputa ideológica em torno de suas respectivas pedagogias, negando a sofística de seu tempo, e legitimando sua respectiva prática pedagógica sob a alcunha de “filosofia”. Todavia, quando se compara Platão e Isócrates, tende-se a enfatizar apenas a evidente rivalidade entre ambos. De fato, em virtude de suas concepções sobre “filosofia”, por exemplo, ambos estão radicalmente de lados opostos enquanto educadores. No entanto, se nos debruçarmos sobre alguns aspectos da obra desses autores, será possível também encontrarmos tanto pontos em comum que os aproximam, quanto pontos dissonantes que os distanciam. O presente artigo tem como objetivo discutir as divergências e convergências de pensamento entre Platão e Isócrates, a fim de demonstrar o quanto o estudo mais atento sobre essas convergências pode ser tão importante quanto o das divergências, e, assim, podermos pontuar melhor como de fato se deu essa rivalidade ideológica entre ambos.


Palavras-chave


Platão. Isócrates. Filosofia. Sofística. Retórica.

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