Distintos tratamentos lexicais e textuais dos plantéis pelo Virgílio de Geórgicas III e por Varrão (De re rustica II)

Matheus Trevizam

Resumo


Neste trabalho, temos o objetivo de estabelecer distinções entre o tratamento linguístico e textual do tema dos animais rústicos por Varrão, em seu De re rustica (livro II), e por Virgílio, no livro III das Geórgicas. Embora, em princípio, esses dois autores se vejam “obrigados” a empregar palavras em relação com o universo técnico de que falam, neste caso a criação de bovinos e de equinos, por exemplo, a leitura comparativa de certas passagens em ligação temática mútua basta para mostrar-nos que Virgílio foi, às vezes, muito menos exato em suas opções que Varrão; ao mesmo tempo, aquele empregou, com bastante frequência, expressões carregadas de sentidos no contexto poético das Geórgicas, livro em que há grande indefinição de limites entre a humanidade e a animalidade. Além disso, as descrições dos corpos dos animais parecem, em Virgílio, menos precisas e mais expressivas, poeticamente, que as de Varrão.


Palavras-chave


Língua técnica. Poesia. Varrão. Virgílio. Expressão poética. Descrição.

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