Furacão... Um diário de imagens

Tainá de Luccas, Fernanda Pestana, Luana Lopes, Elena Manbrini de Oliveira, Fernanda Avelar, Hélen Caroline da Silva Camillo, Mariana Barbosa, Tainá Cristine Chicão, Alessandra dos Santos Penha, Susana Oliveira Dias

Resumo


Diagnóstico: imagens e palavras de divulgação científica das mudanças climáticas estão doentes. Sintomas? Pele, tecidos e membranas normais, sem qualquer lesão, enrijecidas, o que ocasiona forte separação entre interno e externo, dentro e fora, sujeito e objeto, impedindo fluxos, contágios. Visão nítida, sem manchas, nem distorções ou embasamentos, que indicam redução da potência ficcional e visão já dada, sustentada pela busca da verdade. Músculos rígidos que garantem uma perfeita sustentação e deslocamento repetido de significações calcificadas na estrutura óssea de imagens e palavras. Coração ritmado, sem alterações nas pulsações-sensações, que se mantêm constantes entre 70 a 80 por pixel/caracteres, produzindo funcionamentos repetidos de um tempo linear e homogêneo. Vias aéreas com atividade esperada, em que o ar memória entra continuamente, sendo aquecido e filtrado, e tornado eternamente presente nas trocas gasosas que deixam reter apenas os bons representantes e expulsam os maus representantes. Desses sintomas, produzidos por uma doença que já se tornou epidemia surda e que já não mais mobiliza médicos, pesquisadores, jornalistas e/ou divulgadores de ciência, retiramos uma escrita que se quer presságio, pré-sentimento, anúncio de um acontecimento que chega e nos afeta: tornar as imagens e palavras de divulgação das mudanças climáticas, doentes de si mesmas, doentes de vida. Investimos então, neste relato de experiência, em criar um diário em que as imagens que fizeram parte da instalação artística “Furacão” – criada por nós no projetode pesquisa e extensão “Vida e tempo em proliferação: investigações das potencialidades dasimagens de divulgação das mudanças climáticas” (Faepex) – ganham vidas. Um relato que se faz num tempo vivido e experimentado na/pela escrita e edição de imagens. Tempo em que as palavras não capturam imagens, em que imagens não capturam palavras, submetidas que estão auma ventania devastadora. Um tempo esvaziado de narrativas, ilustrações, explicações. Que vida pulsa desse furacão de palavras-imagens?

Texto completo:

PDF


Indexadores: